For old times sake!
Março 13, 2008
Dia 29 o Fockin Go! faz sua estréia nas pick-ups. É um projeto que esse colunista divide com o amigo-irmão Rodrigo “Pinta” Turrer. Para dar ainda mais aquele clima de “tá tudo em casa”, os fãs de Beyoncé, Jay-Z e Justin contarão com Kátia Mello, a musa deste que vos escreve, para chacoalhá-los. Mais detalhes num futuro próximo. “Save the date”, diria Vânia Goy (que está de blog novo, super chiquê).
Como um aperitivo, uma palhinha do que vai rolar:
RADIOHEAD – BODYSNATCHERS
LCD SOUNDSYSTEM – YEAH (CRASS VERSION)
THE RAPTURE – ECHOES
YEAH YEAH YEAHS – TICK
LE TIGRE – DECEPTACON
DEAD OR ALIVE – YOU SPIN ME ROUND (LIKE A RECORD)
WHITE STRIPES – FELL IN LOVE WITH A GIRL
AC/DC – HIGH VOLTAGE
ROLLING STONES – GET OFF OF MY CLOUD
ZZ TOP – TUSH
Bob Dylan é meu pastor e nada me faltará
Fevereiro 12, 2008
Pois é, caros leitores. Como os roteiristas não saem da greve, este colunista vai arrogar para si a tarefa de distribuir alguns Oscar. O primeiro é o Oscar de Tacanhice Mental de Cabeças Supostamente Pensantes do Show Business Nacional. E a Academia foi unânime em outorgar o prêmio para o gênio que resolveu fazer o show do Bob Dylan no Via Funchal. Sem pista, só com mesas. Com preços que vão de “Ultrajante” (R$ 250, por um lugar no fundo, na lateral) a “Crime Inafiançável” (R$ 900. Isso mesmo. No-ve-cen-tos).
A título de comparação, o show do Rio será no Rioarena (um dos projetos faraônicos do Pan que consumiram um polpudo montante dos cofres públicos), e sai por entre R$ 150 e 360. E em Buenos Aires? Alguém com um mínimo de sensibilidade para enxergar o óbvio marcou o show para o José Amalfitani – o popular El Fortín de Liniers–, estádio do Vélez Sarsfield. Estádio. Os ingressos, assim, saem por entre R$ 41 (não, não falta nenhum zero) e 210.
Para vê-lo aqui, em suma, só sendo podre de rico, trouxa ou fanático. Como ninguém que se disponha a ir a um show do mestre pode ser chamado de trouxa, é em nome desse fanatismo que ainda assim nos dispomos a correr o risco de dar entrada no HC com uma overdose de miojo simplesmente para vê-lo ao vivo. Afinal, é o Bob Dylan.
Este colunista pode ser chamado de podre por diversos motivos – nenhum deles relacionado ao dinheiro sob o colchão. A perspectiva do estilo de vida espartano dos próximos meses não impede, porém, que seus olhos brilhem ao contemplar o ingresso. Muito menos segura as lágrimas ao assistir às imagens reunidas no filme Don’t Look Back, de D.A. Pennebaker.
Lançado pela Sony BMG no finalzinho do ano passado, o filme acompanha a segunda turnê de Dylan pela Inglaterra, em 1965. Época em que as galáxias estavam alinhadas de tal forma que a Inglaterra era o centro do universo. Em uma palavra? Tirem as crianças da sala: é foda. Foda demais.
Se vai ao show, assista e culpe-se instantaneamente se em algum momento você achou que esse dinheiro foi mal gasto. Mesmo que seja o pior show da vida dele, você pagou para ver o pior show da vida de um dos maiores gênios da história da música. É como ver o pior quadro do Vermeer, ou visitar o pior prédio de Frank Lloyd Wright. É história. É mitologia. É um dos poucos heróis do século que destruiu a idéia de heroísmo.
Se você não vai ao show, veja o filme de Pennebaker como um ato de adoração religiosa, o acender de uma vela no altar dos deuses do rock. O filme é exatamente isso. Veja como Dylan e seu violão conectam-se por uma irradiação que foge a nós, simples mortais. Ou como fica tomado por uma assustadora concentração quando escreve à máquina em meio à balbúrdia que toma conta do quarto de hotel. Dylan parece ter saltado no abismo de sua própria existência e, enquanto cai, contempla todo um mundo de emoções vetado aos que não têm uma sensibilidade dessa estatura. É isso que o torna grande.
O que o faz um dos maiores, além de tudo isso, é o fato de que esse contato tão latente com o sagrado não faz de Dylan um nefelibata que paira à margem da vida e dos homens. Atitude e respeito para com seus princípios fazem parte de seu vocabulário mais imediato. Basta ver sua postura em relação às perguntas insossas e toscas dos jornalistas desprovidos de lobo frontal na coletiva de imprensa, ou ao repórter almofadinha da Time, ou ainda ao rapaz incrivelmente mala que vai provocá-lo no camarim. E, em contraste, à atenção que dispensa ao repórter bem-informado que vai discutir África. Dylan não é fake, não faz tipo. Dylan faz música – e faz como pouquíssimos.
Seu violão, sua gaita e sua voz deram corpo a alguns dos mais belos versos jamais escritos. Um dia seu corpo morrerá e sua alma irá encontrar-se com Johnny Cash e Jimi Hendrix na nuvem com os melhores amplificadores do céu. Sorte que seus discos perdurarão para sempre, nos roubando sorrisos e lágrimas e dando em troca algum sentido em nossas existências.
(Foto: Reprodução/allimages.com)
She’s got it, yeah baby, she’s got it
Novembro 9, 2007
Quer tentar chutar quem foi a mulher mais bem colocada na lista dos mais cool de 2007 da revista inglesa NME? Se o seu palpite foi Amy Winehouse, pena. Não, também não é Oprah Winfrey. Senhoras e senhores, tem Brasil no pódio. Abram alas, pois sua majestade canta amanhã em São Paulo. É Lovefoxx, do Cansei de Ser Sexy, que ficou em terceiro lugar.
No topo da lista (numa escolha que está gerando certa polêmica) está Frank Carter, vocalista do Gallows, o que mostra que o punk anda com boa moral por lá – e num som bem pesado. Logo em seguida está Jamie Raynolds, do Klaxons, que ano passado ocupava a 13a posição.
A “medalha de bronze” que a moça arrebatou é mais uma prova de que o CSS foi, viu e venceu. “Three XXXs, two catsuits, one fiancé, zero holiday time” (“Três XXXs, dois colantes, um noivo, zero de tempo de férias”, numa tradução pra lá de livre) – assim a revista a definiu.
Amanhã o CSS sobe a um dos palcos do Planeta Terra para desfiar seus hits über-dançantes, cheios de guitarras distorcidas, sons eletrônicos e letras cínicas. Graças à genial organização do evento, está programado para começar seu show meia hora depois da descolada-queridinha-fenômeno Lily Allen (que, por sinal, não está na lista), o que fatalmente dividirá parte do público.
Não deixe de vê-los. Quem já os viu por aqui sabe do que são capazes em shows. Depois de tanto tempo na gringa, então, só tendem a estar mais maduros e seguros de si. É uma boa chance para tentar descobrir o que há de tão cool em Lovefoxx. Até porque, pelo jeito, sabe-se lá quando eles voltam a tocar por aqui.
Os dez primeiros entre os 50 da lista:
1) Frank Carter – Gallows
2) Jamie Reynolds – Klaxons
3) Lovefoxxx – CSS
4) Ryan Jarman – The Cribs
5) Lethal Bizzle
6) Alex Turner – Arctic Monkeys
7) Kate Nash
Amy Winehouse
9) Beth Ditto – The Gossip
10) Keith Richards – The Rolling Stones
Dance like no one’s watching
Outubro 31, 2007
A organização do festival Planeta Terra deveria ganhar o prêmio de burrice do ano após programar suas maiores atrações para palcos diferentes e – obra de gênio – horários conflitantes. Chega a dar vontade de boicotar, só de lástima. Mas essas idéias passam logo. Afinal, oh, não! É o Devo.
Ok, vêm também The Rapture (que fez show memorável no Rio em 2003), Kasabian, Lily Allen, Cansei de Ser Sexy e mais alguns “etc”. Mas o festival tem dono. São os esquisitões de Akron, Ohio, e seus capacetes vermelhos (que podem ser comprados na loja do site, bem como bonequinhos da banda e outros itens de memorabilia). O Devo não quer ser cool. O Devo definiu os parâmetros do que é ser cool.
Whip it é um dos cânones da história do videoclipe, e influenciou dezenas de outros. Não está longe de completar 30 anos de idade, e ainda é sinônimo de ironia e ousadia. Não é o único grande vídeo da banda, que ainda tem, entre outros, Are you experienced? e Satisfaction (o cover favorito de Mick Jagger para esta canção). É raro uma música cair tão bem em uma trilha sonora como foi o caso de Working in the coal mine, no desenho Heavy Metal, de Gerald Potterton e Jimmy T. Murakami, em 1981.
O Devo, que despontou como a estrela-mor do movimento new wave nos anos 1980, era a antítese perfeita dos Estados Unidos da Guerra do Vietnã e de Ronald Reagan. Basta olhar para a banda: o visual cyber-vintage diz muito sobre o papel que a ficção científica desempenhava no imaginário yankee da época. 
Quer entender de onde vêm Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e outros figurões dessas novas gerações de roqueiros? Bote para tocar discos como Oh, No! It’s DEVO, Shout e Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! A influência é clara tanto no som como na postura irônica, cheia de desfaçatez. Devo é a prova de que crítica e atitude podem ser companheiras de diversão.
Se a estrutura do evento colaborar, deve ser um show para dançar do início ao fim. É possível que haja momentos de nostalgia, lembranças de um ou mais filmes na Sessão da Tarde. Certeza de muitos chapéus tubulares vermelhos no público. Devo não tem fãs, tem seguidores. E eles pulam bastante.
