Olé, toro!
Novembro 28, 2007
Clipe novo do White Stripes rolando! É Conquest, o mais novo single do álbum Icky Thump.
Maluquice de primeira linha. Meg soa violenta e niilista, parecendo descarregar em sua bateria “todas as dores do mundo”. A guitarra de Jack é suja e guarda um pedantismo adolescente, quase ofensiva. E o trompete garante uma ironia de mariarchi canastrão, um ar de road movie b rodado no Novo México.
É mais um grande cover de uma banda que já fez maravilhas com canções de Robert Johnson (Stop Breaking Down), Burt Bacharach (I Just Don’t Know What To Do With Myself), Dolly Parton (Jolene) e Captain Beefheart (China Pig), dentre tantos outros.
Conquest foi escrita por Corkey Robbins nos anos 1950 e encontrou o sucesso na deliciosa versão de Patti Page, uma garota jeca de Oklahoma que foi alçada rapidamente ao estrelato e se tornou a cantora que mais vendeu discos nos EUA naquela década. Ela mostrou que a country music também podia ser cool e embalar as noites em que Kevin Arnold e Winnie Cooper namoravam dentro do carro, no alto da colina.
Dois botões podiam acabar com o mundo a qualquer momento – um na Casa Branca e outro no Kremlin. Mas que era um lugar menos perigoso para se viver, ah isso era.
Um viva ao instinto aranha!
Novembro 13, 2007
Peter Parker? Nada disso! Ele se chama Riquelme Wesley dos Santos, tem 5 anos de idade e mora em Palmeira, SC. Na última sexta-feira ele entrou em uma casa em chamas e resgatou a pequena Andriele, filha da vizinha, de 1 ano e 10 meses, que estava em um berço. Já se cria certa mitologia em torno do episódio: há quem jure que o menino gritou “Eu sou o Homem Aranha!” antes de correr para dentro da casa – sim, ele vestia uma fantasia do herói.
Em homenagem a esse nosso pequeno super-herói, a coluna tira do baú a elétrica versão que os Ramones fizeram para o tema de Spiderman, de Robert Harris e Paul Francis Webster. Os quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko surgiram em agosto de 1962 e exerceram fascínio em milhões de pessoas desde então. Seu prestígio permanece em alta até hoje, em que superproduzidos filmes arrastam legiões de fãs ao cinema.
Janeiro de 1995: um mês numa fase que poderia ser considerada “esquisita” para a banda, que terminaria em agosto do ano seguinte. Joey havia descoberto o câncer que o liquidaria em 2001. O clima era péssimo entre os Ramones, que começam a gravar seu último álbum de estúdio: ¡Adiós Amigos!, lançado em 18 de julho.
Spiderman apareceu como faixa escondida de um disco que contém algumas das belas canções do grupo, como She Talks To Rainbows, o cover de I Don’t Wanna Grow Up, de Tom Waits, e seis canções do ex-baixista Dee Dee, que faz uma participação em alemão, gravada por telefone, na sua Born To Die In Berlin. A versão para o tema do desenho apareceria também em Greatest Hist Live, do ano seguinte, gravado no último show que a banda fez em Nova York, em 29 de fevereiro de 1996.
Os Ramones imprimem a essência de sua marca pessoal para um tema tão querido pelos fãs dos desenhos e filmes da série. Dura 2m04s, numa pegada rápida e frenética. O clipe mistura imagens do desenho animado, tomadas da banda no telhado de um prédio em Manhattan e algumas cenas em estúdio – das quais participa a então jovem atriz Drew Barrymore. Nele já se vê os Ramones já marcados por tantos anos de estrada.
Saturday Morning – Cartoons’ Greatest Hits, com versões descoladas para temas clássicos de desenhos animados. Entre os outros achados do disco estão Sugar Sugar, com Mary Lou e Semisonic, Underdog (que acabou de virar filme), com os Butthole Surfers, e a dobradinha Johhny Quest/Stop That Pigeon, com ninguém menos que a lenda do psychobilly Reverend Horton Heat.Hendrix no 220
Novembro 2, 2007
Quem decide gravar um cover de alguma canção de Jimi Hendrix já enfrenta de saída um referencial de peso nas comparações que sempre são feitas: o precioso legado de gravações do próprio. Jimi é, antes de tudo, um guitarrista – para muitos, o maior de todos. O desafio para o intérprete passa a ser o de recriar de forma substancial o objeto original.
Fãs declarados de Hendrix (reiteraram isso em diversas entrevistas), os californianos descamisados do Red Hot Chili Peppers escolheram como nona das 13 músicas de seu álbum Mother’s Milk, de 1989, um de seus grandes clássicos: Fire, do disco de estréia Are You Experienced, de 1967. Amparado por seus fiéis escudeiros, o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell, Jimi desfia um riff poderoso, uma letra rápida e agressiva e um refrão contagiante.
Mother’s Milk é o quarto disco do RHCP, primeiro com John Frusciante na guitarra, substuindo Hillel Slovak, morto por overdose (a canção Knock me down é dedicada a ele). O álbum também trouxe outro cover importante, Higher Ground, de Stevie Wonder. Traz na biografia o fato de ter sido o primeiro disco de ouro recebido pelo grupo.
A versão dos Peppers (aqui há o registro em um show na Finlândia, em 1988) explora o potencial da banda como organismo uno. O ritmo é bem acelerado, o que confere à canção um certo ar heavy metal. Chad Smith soa violento como em poucas outras ocasiões. O baixo de Flea, elegante e funkeado, ocupa um lugar mais central do que o de Redding na versão original. Frusciante é discreto em suas intervenções e solos, mostrando deferência ao mestre. E o vocal de Kiedis foi mixado com um forte eco, criando uma sonoridade espacial, difusa.
Num momento inspirado, a banda conseguiu aliar respeito a uma obra sagrada e a impressão de sua identidade própria. A canção ganha outro caráter, à luz de aspectos que são ressaltados na nova versão; o discurso que está sendo cantado fica mais impositivo, ousado, feroz. Uma bela homenagem.
(Fotos: Reprodução)