She is just fifteen and you should know what I mean
Fevereiro 8, 2008
A lição de McLuhan nunca foi tão válida. O meio é a mensagem, e as implicações desse conceito são cada vez mais profundas. De resto, como explicar a multidão que lotou o Milo ontem para ver o show de uma garota que tinha aberto um show do Vanguart e botado quatro canções no MySpace?
Se a esse ponto o nome Mallu Magalhães não diz nada pra você, saia da bolha. A moça (que você já sabe que tem 15 anos e tudo o mais) já apareceu na TV, no jornal, no rádio, em trocentos blogs e conta, às 17h54 do dia 8 de fevereiro, 120.390 execuções de suas músicas no site – 3.532 só hoje. A multidão já caiu no maniqueísmo barato do choque entre “o fenômeno que balançou o mundo indie” – seja lá o que isso significa – e “muito barulho (ou ‘muito hype’, já que é hype falar ‘hype’) por nada”. Mas e aí, qual é a real?
A real é que deter-se única e exclusivamente sobre a música de Mallu é cair numa frieza asséptica travestida de razão desmistificadora. Sim, ela é uma compositora talentosa que já mostrou que sabe trabalhar muito bem em cima de suas referências – e que belas referências, diga-se. Segurou a bronca de um Milo literalmente lotado, quase uma arena de briga de galo (com gente ávida por sangue, não duvidem).
Impressiona, de cara, a desenvoltura que ela esbanja frente a tanto assédio e tantas coisas ditas a seu respeito. Nada, porém, que surpreenda. Por quê? Pela simples razão de que Mallu é de verdade. Esbanja (se é que se pode usar o termo “esbanjar” para alguém aparentemente tão sossegada com tanto barulho) despretensão. Não é um produtinho empurrado goela abaixo por uma gravadora qualquer atrás de cifrões das mesadas dos jovens que se “identificariam” com ela. Aliás, falar em “gravadora” nesse caso já é olhar pra frente…
Veja Mallu no palco e perceba o quanto essa garota esperta e com ares de hiperatividade parece estar se divertindo. Rock’n roll não é, ou deveria ser, isso?