Battles em grande show
Novembro 22, 2007
Parece apropriado recorrer à imagem que Lúcio Ribeiro invocou (“alguém definiu”) para dar uma idéia do som do Battles, que fez show ontem na Clash: “um experimento biomecânico”. O resultado é um caldeirão de referências poderoso e impactante.
Nova-iorquinos até a medula, guardam certa semelhança com duas das bandas que têm feito mais barulho por lá (e por aqui, já que ambas tocaram em SP este mês): The Rapture e LCD Soundsystem. Certa semelhança, uma vez que o Battles aposta em um caminho diferente, de paladar mais difícil – ainda que igualmente saboroso.
O som é essencialmente instrumental, pontuado por vezes pelos vocais eletronicamente manipulados do guitarrista/tecladista Tyondai Braxton. Um universo mais dançante mas ainda assim marcadamente ligado ao passado musical da cidade: Suicide, DNA, Sonic Youth… Também dialoga com gente como os franceses do Magma e a turma do Krautrock, como Can e Cluster. O Battle é a radicalização de muitas das propostas apontadas por esse pessoal.
O álbum de estréia, Mirrored, foi lançado em maio, embora EPs já circulem desde 2004. A demora deve-se muito à apertada agenda de seus integrantes em outros projetos: o guitarrista/tecladista Ian Willians toca no Don Caballero e no Storm & Stress, o baterista John Stanier no Helmet e no Tomahawk e o guitarrista David Konopka no Lynx.
É um dos grandes discos do ano, com belas canções como Atlas, Prismism e Rainbow. Sua audição, porém, não consegue transmitir o que é a banda em ação no palco. Ian e seus amigos parecem estar o tempo todo se divertindo muito com tudo aquilo, e realmente acreditam no som que fazem. Uma dose cavalar de honestidade e do espírito libertário e subversivo que fazem o rock’n roll ser o rock’n roll.
Novembro 22, 2007 at 5:11 pm
lightining bolt + king crimson + krautrock + wolf eyes + DNA + hipnose coletiva.
Novembro 22, 2007 at 5:26 pm
E pensar que aquele maluco do Arto Lindsay hoje toca guitarrinhas soft com madame Marisa Monte…