A organização do festival Planeta Terra deveria ganhar o prêmio de burrice do ano após programar suas maiores atrações para palcos diferentes e – obra de gênio – horários conflitantes. Chega a dar vontade de boicotar, só de lástima. Mas essas idéias passam logo. Afinal, oh, não! É o Devo.

Ok, vêm também The Rapture (que fez show memorável no Rio em 2003), Kasabian, Lily Allen, Cansei de Ser Sexy e mais alguns “etc”. Mas o festival tem dono. São os esquisitões de Akron, Ohio, e seus capacetes vermelhos (que podem ser comprados na loja do site, bem como bonequinhos da banda e outros itens de memorabilia). O Devo não quer ser cool. O Devo definiu os parâmetros do que é ser cool.

Whip it é um dos cânones da história do videoclipe, e influenciou dezenas de outros. Não está longe de completar 30 anos de idade, e ainda é sinônimo de ironia e ousadia. Não é o único grande vídeo da banda, que ainda tem, entre outros, Are you experienced? e Satisfaction (o cover favorito de Mick Jagger para esta canção). É raro uma música cair tão bem em uma trilha sonora como foi o caso de Working in the coal mine, no desenho Heavy Metal, de Gerald Potterton e Jimmy T. Murakami, em 1981.

O Devo, que despontou como a estrela-mor do movimento new wave nos anos 1980, era a antítese perfeita dos Estados Unidos da Guerra do Vietnã e de Ronald Reagan. Basta olhar para a banda: o visual cyber-vintage diz muito sobre o papel que a ficção científica desempenhava no imaginário yankee da época.

Quer entender de onde vêm Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e outros figurões dessas novas gerações de roqueiros? Bote para tocar discos como Oh, No! It’s DEVO, Shout e Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! A influência é clara tanto no som como na postura irônica, cheia de desfaçatez. Devo é a prova de que crítica e atitude podem ser companheiras de diversão.

Se a estrutura do evento colaborar, deve ser um show para dançar do início ao fim. É possível que haja momentos de nostalgia, lembranças de um ou mais filmes na Sessão da Tarde. Certeza de muitos chapéus tubulares vermelhos no público. Devo não tem fãs, tem seguidores. E eles pulam bastante.

(Fotos: Reprodução/devoclub.com)

3 Responses to “Dance like no one’s watching”

  1. .hi-fi. Says:

    rock morimbundo…desorganização é vmb, mtv sempre é amadora, e parece q vai continuar por um longo tempo…

  2. Guilherme Says:

    Eu tenho saudade de quando a MTV passava clipes em sua programação e honrava a primeira letra do nome…

  3. Tati Says:

    num sei se vale a analogia Arctic Monkeys e Franz com Devo…

    eu tava bem a fim de ver kasabian. mas acho que vou estar passando neste festival.

    bjs.


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