1977 foi um grande ano para os Ramones. Lançaram o álbum Leave Home, gravaram (no dia 31 de dezembro) o material que seria lançado dois anos depois em It’s Alive, excursionaram pela Europa e pela América do Norte. Como se não bastasse, fizeram shows com Deus-Ele-Mesmo-Em-Pessoa, Iggy Pop (que, em 77, lançou dois álbuns históricos: The Idiot e Lust for Life). A história do rock agradece especificamente, porém, pelo álbum que a banda lançou em novembro daquele ano: Rocket to Russia.

Com 14 canções distribuídas em inacreditáveis 31 minutos e 55 segundos, o terceiro disco dos Ramones era um soco na cara. Flertava descaradamente com a surf music – é aqui que está o famoso cover de Surfin’ Bird –, estabelecendo uma ponte entre a agressividade do álbum anterior e a atitude mais séria do seguinte, Road to Ruin, de 1978.

É uma sucessão de preciosidades, do início ao fim. Destaque para alguns dos maiores clássicos da carreira do grupo, como Rockaway Beach, Sheena is a Punk Rocker e Teenage Lobotomy. Outra versão famosa também está aqui: Do you wanna dance?.

Rocket to Russia é o preferido de muitos fãs dos Ramones. Talvez por sua absoluta concisão, talvez pelo misto de violência e de uma certa atitude não-estou-nem-aí, é uma das jóias da coroa da discografia punk. O som é rápido, direto, e a própria capa não deixa dúvidas sobre as intenções daqueles caras cabeludos, de jeans rasgados e jaquetas de couro.

Passados trinta anos de seu lançamento, o disco não envelheceu sequer um dia. Nasceu um clássico, e de saída ganhou imortalidade. Ele ecoa hoje, tanto quanto em 1977, como um grito de resistência num mundo cada vez mais míope e carente de sentido. Aquele one-two-three-four soa e sempre soará como uma dose de adrenalina injetada direto na veia.

(Foto: Reprodução)

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